A relação do povo guarani mbya e o meio ambiente

Nos guarani mbya temos um respeito muito especial pela natureza porque a natureza fornece todas as condições necessárias para o nosso povo manter e revitalizar a nossa tradição, nos respeitamos o meio ambiente como se fosse um irmão, todas as coisas que fazemos como por exemplo cortar arvore, fazer um roçado, ou mesmo fazer uma caminhada na natureza primeiro pedimos permissão ao deus da mata, para que nada de mal nos aconteça, se uma pessoa da comunidade faz uma roça, corta arvores sem a necessidade, caça so por caçar essa pessoa pode ficar doente ate mesmo morrer por não respeitar a natureza, porque ela já sustentou o nossos antepassados desde o principio. Quando ouço alguém falar que o índio quer a terra apenas para desmatar, matar pássaros,caçar animais, acabar com os peixes. Eu penso se o nosso povo fizesse tudo isso, em 1500 quando os invasores chegaram teriam visto grandes áreas desmatadas para o plantio de soja transgênicos, grandes pasto de gado, canavial de quilômetros e quilômetros  quadrados. Mais não foi isso que encontraram em todos os territórios da atual Brasil, inclusive nos litorais. E agora dizem que os índios poluem o meio ambiente isso e uma visão muito preconceituosa. O nosso povo indígena seja ela qual for nos somos o guardião de nossas florestas temos respeito pela natureza, nos o tratamos com muito carinho porque a natureza faz parte de nos e nos fazemos parte dela, nos nascemos no meio da floresta, crescemos na mata e morremos onde nascemos e isso e muito sagrado pra nos.  Respeitem mais a natureza porque atualmente  o meio ambiente esta pedindo socorro.

Texto: Sergio popygua

 

Carta do Cacique americano ao
Presidente dos Estados Unidos da América

Em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena
Seatle a vender suas terras. Como resposta, o chefe enviou uma carta ao
presidente que se tornou famosa em todo o mundo. Seu conteúdo merece
uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por todos, por
esta e pelas futuras gerações.

Decorridos quase dois séculos da carta do cacique indígena Seatle ao
Presidente do Estados Unidos, suas lições permanecem atuais e proféticas,
para todos aqueles que sabem enxergar no fundo do conteúdo de sua
mensagem.

A carta do cacique Seatle é uma lição inesgotável de amor à natureza e à
vida, que permanece na consciência de milhões de pessoas em todas as
partes do mundo. É o hino de todos aqueles que amam a natureza e tudo o
que nela vive. A cada leitura, renovamos os ensinamentos que ali estão.
Serve para ler e reler e passar adiante para que todos a conheçam.

No Brasil, existiam em torno de 4 milhões de indígenas, quando os
colonizadores chegaram. Hoje, restam cerca de 200 mil! Embora o indígena
tenha contribuído de forma essencial para a miscigenação da raça brasileira, é
certo que foram sendo expulsos de suas terras pelos exploradores e
eliminados por doenças contraídas através do convívio com os brancos.

Atualmente, continuam sofrendo a invasão de suas terras por madeireiros,
fazendeiros e garimpeiros, seus principais algozes.

É fundamental que seja preservada a riqueza de sua cultura, suas danças,
ritos, conhecimentos sobre as plantas e animais e as formas de viver em
harmonia com a natureza. Os indígenas possuem uma sabedoria milenar que
precisamos aprender a ouvir.

A história dos indígenas em cada país onde existiam, antes do homem branco,
é diferente nas suas particularidades, mas no seu conteúdo são iguais. Nos
Estados Unidos ou no Brasil, os problemas enfrentados pelos indígenas foram
os mesmos. Daí esse sentimento de solidariedade e cooperação que existe
entre os diferentes povos indígenas e essa sabedoria milenar da qual todos
nós temos muito que aprender.

CARTA DO CHEFE INDÍGENA SEATLE

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o
mesmo sopro: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo
sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um
homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro (…).
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se
decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem deve tratar os animais
desta terra como seus irmãos (…)
O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria
de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve
acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de
nossos avós. Para que respeitem a Terra, digam a seus filhos que ela foi
enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que
ensinamos às nossas, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à
Terra, acontecerá aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo estão
cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a Terra não pertence ao homem; o homem pertence à Terra.
Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma
família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu
o tecido da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao
tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para
amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos
irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos ( e o homem
branco poderá vir a descobrir um dia): nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês
podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas não é
possível. Ela é o Deus do homem e sua compaixão é igual para o homem
branco e para o homem vermelho. A terra lhe é preciosa e feri-la é desprezar
o seu Criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas
as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos
próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados
pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial
lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é
um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam
exterminados, os cavalos bravios todos domados, os recantos secretos da
floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros
obstruída por fios que falam. Onde está a árvore? Desapareceu. Onde está a
água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência.
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia
nos parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho
da água como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de
um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa,
cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do
meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as
lembranças do homem vermelho (…).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas a idéia nos
parece um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da
água como é possível comprá-los?
Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de
um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa,
cada clareira, cada inseto a zumbir é sagrado na memória e experiência do
meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as
lembranças do homem vermelho (…).
Essa água brilhante que corre nos rios não é apenas água, mas o sangue de
nossos antepassados. Se vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que
ela é sagrada, devem ensinar às crianças que ela é sagrada e que cada
reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da
vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas
canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês
devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus
também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a
qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma
porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é
um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A
terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue
seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se
incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa
(…). Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei. Nossos costumes são diferentes dos seus.
A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o
homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se
possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um
inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O
ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida de um homem,
se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao
redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo.
O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o
próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.”
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma
porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é
um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A
terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue
seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se
incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa
(…). Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.”

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